Gostei da matéria. Saiu ontem no Caderno do Estadão. Interessante por sinal, já que tenho raízes catalãs! Como negar?!! Meu pai era catalão!! Vamos postar e Boa Leitura!!"Para juntar o gosto pela escrita, as artes plásticas e sua paixão pela Catalunha, seu lugar de origem, o publicitário Francesc Petit fez o livro Quem Inventou Picasso (Editora Arx, 208 págs., R$ 29,90), sua primeira obra no campo da ficção. Petit, sempre definido como o ''''P'''' da agência publicitária DPZ - é seu proprietário ao lado de Roberto Duailibi e de José Zaragoza -, já lançou em sua carreira mais de uma dezenas de livros, mas todos eles dentro do seu campo de atuação. Um de seus sucessos é Marca - E Meus Personagens (Editora Futura), em que conta a história de marcas que admira e de marcas que ele mesmo criou ao longo de sua carreira - como os símbolos do Masp, do grupo Itaú, do cigarro Hollywood, das empresas aéreas Gol e Vasp, entre outros. ''''Fiz Belas Artes em Barcelona, queria ser, desde os 4 anos, ''cartazista''. Mas, quando cheguei aqui, a propaganda foi a área que entrei para o meu sustento'', conta Petit, que nasceu na cidade catalã em 1934 e chegou ao Brasil em 1952. ''Optei pela propaganda, mas sempre buscando um veio artístico.''Desde sempre, as artes plásticas e o design gráfico foram paixões para Petit. Durante muito tempo, dividiu-se entre a carreira publicitária e a carreira artística - em seu ateliê, em São Paulo, há diversos quadros que pintou (durante uma época, tinha até mesmo um ateliê em Barcelona); há gaveteiros repletos de desenhos. Mas, há dez anos, Petit não pinta. ''Resolvi que ia deixar a pintura de lado para aparecer apenas como publicitário. Fazia exposições, pintava sempre, mas fui muito criticado. Agora, em meu ateliê, resolvi que vou apenas escrever, sozinho, onde ninguém me critique. Foi uma certa desilusão, mas não tão grande'', desabafa Petit, que criou a DPZ em 1968 com Zaragoza e Duailibi.A partir de sua opção pela escrita, o trabalho para criar Quem Inventou Picasso é fruto de 12 anos de dedicação. O livro não é, simplesmente, uma obra de ficção e sim um extenso conto que mistura dados e histórias reais, personagens inventados e personagens que existiram, receitas de comidas, opiniões sobre o sistema da arte e artistas, passeios por Barcelona. A narrativa, que tem como protagonistas o pintor maduro e bem-sucedido Francesc e o jovem talentoso Masias, que quer ser artista, tem como ponto central tocar numa questão principal: a defesa de um injustiçado grupo de artistas catalães, entre eles, Ramón Casas, Santiago Rusiñol (o pai de Petit o acompanhava em sessões de pintura ao ar livre) e Nonell, que, fundamentais no contexto da passagem do século 19 a 20, nos primeiros passos da arte moderna catalã, ficaram, até hoje, esquecidos. ''''Não sou crítico de arte, nem historiador, mas esse é um tema que nunca foi tocado. Embuti a verdade dentro de um conto'''', diz Petit, que também vai lançar em breve o livro Arte Nua e Crua.Em Barcelona, naquela época, o grupo do qual faziam parte os impressionistas Ramón Casas e Rusiñol, se reunia numa taberna, Cuatre Gats (Quatro Gatos), para discutir idéias e pensar novos rumos da arte. O malaguenho Pablo Picasso, que chegou jovem à cidade catalã, aos 14 anos, participou do grupo, levado pelo amigo Pixot - fez, até mesmo um dos cartazes do Cuatre Gats. Hoje, depois de tanto tempo, o nome de Picasso inquestionavelmente e expressamente se fincou. Mas e os daqueles catalães que o acolheram? '''Existe essa discussão há anos. Ninguém diz que Picasso foi inventado naquele bar'''', afirma Petit. Na opinião do publicitário, ''''Picasso era um marqueteiro que vendia gato por lebre''. ''Era um desenhista impecável, mas ele sempre foi pulando de artista para artista, sejam os catalães, sejam Modigliani e Braque em Paris'', continua Petit em sua crítica.''Na vida de um pintor, sem um bom padrinho, você não chega a lugar algum'', diz, numa das passagens do livro, o personagem Francesc ao jovem Masias. De alguma maneira, o pintor Francesc, um defensor da figuração - tal Petit, na vida real - quer encorajar e ajudar Masias. Os dois formam, com outros entusiastas, um grupo no ateliê Escola das Putas, de alguma maneira revivem a atmosfera dos tempos do Cuatre Gats. E, assim, Petit e os personagens de seu livro lutam pelo reconhecimento da arte catalã que, por tempos também foi eclipsada em decorrência de tantos anos da ditadura franquista na Espanha. Enfim, todos eles querem que algum escritor - e Petit sugere a um escritor específico - não deixe essa memória morrer."
Oil on canvas. Ramon Casas


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