
(...) Existem aqueles que colocaram o amor dentro de uma estrutura romântica, ou seja fazem prevalecer um sentimentalismo exagerado e uma imaginação irreal, desprezando o significado dos sentimentos autênticos. Eles acreditam que o casamento extingue por completo todas as adversidades e infortúnios existenciais e que as ansiedades do cotidiano acabariam, terminantemente, quando a cerimônia sacramentasse num abraço de ternura o "felizes para toda a eternidade".
A necessidade recíproca de controle, as promessas que renunciariam à própria individualidade e teriam os mesmo objetivos para todo o sempre são os primeiros indícios de uma enorme desilusão na vida a dois. Compromisos de amor são válidos, desde que aprendamos que a nossa vida está em constante renovação. Assim como as pessoas passam por diversas transformações, também o amor que sentem pelos outros se transforma.
Quando mais observamos os ciclos da vida fora de nós, mais entenderemos as transformações que ocorrem em nossa intimidade, porque nós também somos VIDA. Apenas desse modo, ficaremos mais seguros e estáveis em relação ao nosso desenvolvimento e amadurecimento afetivos.
A diferença fundamental entre amor e dependência é observada com clareza nas ações e comportamentos das criaturas. A dependência prende, possessivamente, uma pessoa à outra, emnquanto o amor de fato incentiva a liberdade, a sinceridade e a naturalidade. O dependente é caracterizado por demonstrar necessidade constante e por reclamar sistematicamente a atenção de outro.
O indivíduo dependente padece dos recursos psísquicos de alguém para viver. Ele dirá "eu o amo", mas na realidade quer dizer "eu preciso de você", ou mesmo "eu não vivo sem você". O amor real baseia-se no sentimento compartilhado entre duas pessoas maduras, ao passo que o amor dependente implora consideração e carinho, infantilmente.
Os legítimos sentimentos da alma nunca se sujeitam a ordenações e imposições, mas sim a uma completa espontaneidade de atitudes e emoções. Dependência gera dores na alma; já a liberdade para amar é um direito natural de todos os filhos de Deus.
Fonte: As Dores da Alma


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