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sábado, 4 de agosto de 2007






Mar e lua



Amaram o amor urgente


As bocas salgadas pela maresia


As costas lanhadas pela tempestade


Naquela cidade Distante do mar


Amaram o amor serenado


Das noturnas praias


Levantavam as saias


E se enluaravam de felicidade


Naquela cidade


Que não tem luar


Amavam o amor proibido


Pois hoje é sabido


Todo mundo conta


Que uma andava tonta


Grávida de lua


E outra andava nua


Ávida de mar


E foram ficando marcadas


Ouvindo risadas, sentindo arrepios


Olhando pro rio tão cheio de lua


E que continua


Correndo pro mar


E foram correnteza abaixo


Rolando no leito


Engolindo água


Boiando com as algas


Arrastando folhas


Carregando flores


E a se desmanchar


E foram virando peixes


Virando conchas


Virando seixos


Virando areia


Prateada areia


Com lua cheia


E à beira-mar

(Chico Buarque de Holanda)

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